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Os grandes muros construídos para proteger japoneses dos tsunamis

Era uma vez um prefeito de uma cidade japonesa com cerca de 30 mil habitantes chamada Fudai. Quando foi eleito, na década de 70, Kotaku Wamurapôs uma ideia na cabeça: no seu mandato, ele iria construir um muro tão alto que protegeria sua cidade de qualquer tsunami. Wamura não conseguia parar de pensar nos horrores causados pelas ondas enormes que varreram seu município em duas ocasiões distintas: 1893 e 1933. A cidade, que basicamente vive do turismo e das algas que os pescadores buscam no mar, ficou praticamente soterrada pelas águas e muita gente morreu. O prefeito, que era um jovem idealista quando ocorreu a segunda tragédia, não queria que isso acontecesse enquanto fosse ele a administrar Fudai. E o muro foi erguido.

O povo de Fudai, que fica a cerca de 500 km de Tóquio,não ficou muito contente durante a obra, que durou cerca de 12 anos e gastou 20 milhões de libras. Muita gente criticou, dizendo que era dinheiro gasto à toa, que não iria resolver o problema, questionaram valores e intenção.Wamura não quis só um muro, mas construiu também imensos painéis que podem ser levantados para permitir que o Rio Fudai esvazie para deixar mais espaço para o mar e, assim, bloqueie as ondas. Os proprietários das terras que tiveram que ser realocados para a construção protestaram. Mas Wamura estava tão seguro de si que conseguiu convencer a todos. E a estrutura de concreto terminou de ser construída em 1984, por um valor que chegou perto de 4 bilhões de ienes.

Wamura morreu em 1997, aos 88 anos. Mais de uma década depois, em 2011, quando um imenso tsunami varreu o Japão, matando quase 18 mil pessoas em todo o país, os ventos e as ondas golpearam fortemente a praia de Fudai, na enseada na cidade, e barcos foram destruídos no porto. Mas na aldeia nenhuma casa foi destruída, não houve uma morte. Passada a tormenta, a cidade em romaria foi ao túmulo de Wamura agradecer e deixar flores para o ex-prefeito.

Muro japonês contra tsunamis

Talvez esta história tenha inspirado a construção dos atuais muros que estão sendo construídos no Japão, como uma forma de tentar evitar que outro tsunami aterrorize a região como aconteceu há sete anos. As paredes têm 12,5 metros de altura e substituíram os quebra-mares, que com o tsunami mostraram-se ineficazes. Em toda a costa japonesa há agora cerca de 395 quilômetros de muros de concreto, construídos por6,8 bilhões de dólares, para tentar barrar as águas do mar do Japão caso elas, de novo, sejam insufladas pelos ventos a ponto de se tornarem perigosas aos humanos.

Em 2011, algumas ondas chegaram a 30 metros de altura. Será, então, que muros de “apenas” 12 metros vão conseguir barrar o fenômeno? Segundo Hiroyasu Kawai, pesquisador do Instituto de Pesquisa do Porto e do Aeroporto em Yokosuka, disse ao jornal britânico “The Guardian”, mesmo que o tsunami seja maior em altura, o muro terá o efeito de atrasar as inundações, talvez garantindo também mais tempo para a evacuação das pessoas.

Assim como aconteceu no tempo de Wamura, agora também tem muita gente contra a construção das paredes. Quer seja porque enfeia espaços que têm vocação turística, quer seja porque o governo deixou de reconstruir algumas edificações importantes pós-tsunami e priorizou a verba para erguer os muros, o fato é que há cidadãos tristes com tantas edificações anacrônicas na paisagem japonesa. Há quem diga que os muros se parecem com uma prisão, e eu não posso discordar…

 

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Fonte: G1

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Publicado em: 13 de março de 2018

Categoria: Associações

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